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Paulo, Apóstolo de Cristo - Um filme que mostra o encontro de um homem com a graça.

pauloapóstoloPaulo é um personagem difícil de entender. A Escritura contém seus pensamentos sobre muitos temas, mas diz relativamente pouco sobre as motivações por trás deles. Nisso, Paulo difere de outros personagens bíblicos, cuja vida interior faz parte de sua história.

O comentário é do jesuíta estadunidense Michael Simone, professor assistente de Escritura no Boston College, em artigo publicado por America, 23-03-2018

Por exemplo, os Evangelhos retratam Pedro – indubitavelmente o único apóstolo igual a Paulo em importância – como alguém cuja fé mal superou sua insegurança. Com o encorajamento de Jesus, ele caminhou sobre as águas, mas apenas por um momento antes que seu medo da tempestade o dominasse. A fraqueza de personagens como Pedro tem um valor espiritual. Ela dá aos leitores um ponto de identificação com alguém que superou seu tumulto interior e desenvolveu uma confiança mais profunda na graça.

Paulo admite essas fraquezas, mas sua extraordinária autoconfiança pode obscurecê-las. Isso pode se dever a seu ambiente intelectual grego, que enfatizava a importância do sōphrōn, a virtude do autocontrole. Indivíduos maduros projetavam autocontrole e não falavam de suas fraquezas.

Assim, embora Paulo falasse de seu “espinho na carne”, ele não dava detalhes específicos. Do mesmo modo, quando Paulo enfrentou sua própria tempestade no mar, ele disse a seus companheiros de tripulação: “Aconselho que vocês sejam corajosos, porque ninguém de vocês vai morrer: só perderão o navio. Esta noite me apareceu um anjo do Deus ao qual pertenço e a quem adoro. O anjo me disse: ‘Não tenha medo, Paulo’” (At 27, 22-24; trad. Bíblia Pastoral). Este é um forte contraste com Pedro, e pode ser desafiador se identificar com uma pessoa com um autocontrole tão destemido.

A grande conquista do filme Paul, Apostle of Christ [Paulo, Apóstolo de Cristo] é seu esforço de explorar a vida interior do homem que podia falar tais palavras. Quaisquer que sejam os méritos cinematográficos do filme, trata-se de um estudo fascinante do encontro de Paulo com a graça.

A obra é uma produção da Affirm Films, uma divisão da Sony que produz filmes com temáticas que atraem o público cristão. Os cineastas imaginam a prisão de Paulo durante a perseguição de Nero (64-68 d.C.), retratando-a com todos os terríveis detalhes encontrados nos Anais de Tácito. As conversas entre Paulo e os outros personagens permitem aos cineastas explorar aspectos do caráter do apóstolo que são difíceis de ver de outro modo. Essas explorações revelam um homem que, embora destemido, também era profundamente humilde, que inspirava os outros com sua confiança, e cuja vida foi irrevogavelmente transformada pelo amor de Cristo. “Todavia, esse tesouro nós o levamos em vasos de barro, para que todos reconheçam que esse incomparável poder pertence a Deus e não é propriedade nossa” (2 Co 4, 7).

A humildade de Paulo aparece com mais clareza em suas conversas com Maurício, o soldado que dirigia a prisão de Mamertina. Maurício encarna a cultura romana; é orgulhoso, severo, supersticioso e cínico. A filha de Maurício está morrendo de uma doença misteriosa, e suas orações à deusa Bona Dea ficaram sem resposta.

Ao ouvir a reputação de Paulo como ‘curador’, Maurício o convoca, mas, quando Paulo explica que não tem nenhum poder exceto aquele que Cristo confere, Maurício hesita, temendo que a confiança em Cristo pudesse enfurecer os deuses de Roma e exacerbar a condição de sua filha.

Enquanto Maurício reúne mais evidências de que Paulo é um milagreiro, Paulo intensifica sua reivindicação de impotência, até mesmo se orgulhando de sua fraqueza. Maurício não tem paciência para isso: “Muito poucos homens admitem fraqueza; certamente nenhum deles se orgulha disso!” No entanto, Paulo o faz, evitando qualquer crédito pelo bem que vem de seus esforços.

Os cineastas também traçam a maneira pela qual a própria confiança de Paulo na graça inspira uma confiança semelhante em toda a comunidade cristã. O filme destaca o serviço que uns oferecem aos outros com confiança simples, mas contagiante, no amor de Deus. Paulo acreditava no infinito poder de Deus, e outros encontravam forças para acreditar também. “Deus, por meio do seu poder que age em nós, pode realizar muito mais do que pedimos ou imaginamos; a ele seja dada a glória na Igreja e em Jesus Cristo por todas as gerações, para sempre. Amém!” (Ef 3, 20-21).

Alguns dos momentos mais marcantes do filme surgem quando Paulo tenta explicar a fonte de seu zelo. Ele descreve sua conversão como um momento em que foi “completamente conhecido e completamente amado”. O filme revela que seu “espinho na carne” seria a culpa que ele continua experimentando sobre suas antigas perseguições. Seu papel na morte de uma criança pesa especialmente sobre ele e o torna desconfortavelmente semelhante com os romanos que matam um órfão cristão no início do filme.

O caminho para Damasco colocou Paulo em uma estrada diferente. Receber a misericórdia de Cristo e ser amado por aqueles que ele mesmo odiava o abalou profundamente. Com o passar do tempo, isso evocou um amor semelhante por parte dele. Esse amor crescente aquietou seus medos e o atraiu para o serviço vitalício a Cristo e à Igreja. Perto do auge do filme, o amor destemido de Paulo inspira um amor semelhante nos cristãos de Roma, que correm o risco de serem presos no esforço de salvar a filha de Maurício.

Assim, o filme revela que a motivação de Paulo era o seu espanto pelo fato de Cristo poder amá-lo, apesar de seus crimes. Sua transformação não ocorreu a partir de uma humilhação punitiva, mas sim a partir do poder dos sonhos de Cristo. Seu zelo destemido foi sua resposta a esse ato de graça.

No filme, vemos Paulo viver a transformação descrita em Coríntios: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança. Agora vemos como em espelho e de maneira confusa; mas depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas depois conhecerei como sou conhecido. Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor” (1Co 13, 11-13).

Fonte: Michael Simone, professor assistente de Escritura no Boston College, em artigo publicado pela revista America

 
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