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Pe. LADISLAU MOLNÁR

UMA HISTÓRIA DE AMOR E VOCAÇÃO

Padre Ladislau Molnár nasceu na cidade húngara de Székesfehérvár, no dia 03 de julho de 1931 e foi batizado no dia 12 de julho do mesmo ano. Seus pais, János e Erzsébet, eram pequenos agricultores. Profundamente católicos, cultivavam a oração em família e a freqüência assídua à Santa Missa. Sua mãe tinha por hábito ler diariamente a Bíblia, momento que aproveitava para catequizar as crianças. Ensinou sempre a prática das virtudes e a honestidade.

Sua fé teve como base o amor à Eucaristia, a Maria Santíssima e a fidelidade à Igreja e ao Santo Padre. Em 16 de junho de 1938 fez a sua primeira comunhão. Em 1943, com 12 anos, perdeu sua mãe. Buscou junto a Maria Santíssima o consolo e o apoio materno que lhe faltaram. Desde muito cedo trabalhou como líder paroquial entre os jovens, sendo crismado em 25 de maio de 1947.

Na Hungria, quando o Padre Ladislau Molnár ainda era jovem, encontrou-se com o Cardeal Joseph Mindszenty, o que definiu não apenas a sua vocação sacerdotal, mas marcou profundamente a evangelização que desenvolveria anos mais tarde. Quando o Padre Ladislau veio para o Brasil, passou a corresponder-se com o Cardeal, ao qual sempre admirou por sua postura firme em defesa da verdade e da Igreja Católica, bem como por seu exemplo de vida: simples, corajoso, um sinal vivo da presença de Deus no mundo.

Das memórias do Padre Ladislau, extraímos estas palavras fortes: “Lembro bem do Cardeal Mindszenty. Esteve mais na prisão do que fora dela: primeiro pelos fascistas, depois pelos comunistas. Nunca vou esquecer a data: agosto de 1948. Como líder paroquial, fui chamado à cidade de Esztergom, na casa do Cardeal. Recebeu-me junto com seu secretário, Andrez Zaccar. Ele conversou comigo sobre o perigo que o ateísmo representava para o mundo livre. Disse: 'Nós, católicos, cristãos, não devemos ser parados. Mesmo que haja sacrifícios, vamos trabalhar'. Suas orientações e sua convicção, naquele único encontro, marcaram para sempre a minha vida. Senti muito forte o desejo de ser sacerdote”.

Uma visita do Cardeal ao Brasil já estava sendo preparada pelo Padre Ladislau quando, a 06 de maio de 1975, recebeu a notícia de sua morte. Morreu a personalidade, mas sua obra e seus pensamentos permanecem até os dias de hoje, inclusive através da Fraternidade Nossa Senhora da Evangelização.

Padre Ladislau, ainda Seminarista, procurou o Bispo em Székesfehérvár, pedindo que não cedesse às pressões do regime comunista pelo rompimento com o Roma. Ouviu naquela ocasião: "Devemos romper, ou todos morreremos". Obediente, porém, profundamente desapontado, Padre Ladislau saiu, batendo a porta. Graças à sua posição firme, e suas palavras de encorajamento, três dias depois, chamado pelo Bispo, recebeu dele uma resposta diferente: "Não nos separaremos de Roma".

Em 1952, com o fechamento dos Seminários, todos os seminaristas foram dispersados e perseguidos. Diante daquela situação, o então seminarista partiu para a cidade de Szeged, onde funcionava de forma limitada um Seminário, pedindo para ser aceito, juntamente com 44 companheiros. Recebendo uma resposta afirmativa, contatou pessoalmente cada um dos ex-seminaristas que, após uma breve resistência (Padres eram indesejados pelo regime), aceitaram a sugestão e retornaram ao Seminário.

Em 19 de junho de 1957 foi ordenado sacerdote pelo Bispo diocesano Shvoy Lajos, com o lema de ordenação: “Os Judeus pedem sinais, os gregos reclamam a sabedoria; nós, porém, anunciamos Cristo crucificado” (1 Cor 1, 22a). Celebrou sua primeira Santa Missa a 23 de junho do mesmo ano, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Seguiram-se 09 anos de um difícil trabalho pastoral em Káloz e Budapeste. Organizou pequenos grupos, de forma clandestina, trabalhando a oração do terço mariano em grupos de cinco jovens. Muitos deles ainda vivem nos dias de hoje, e mantêm viva a recordação do Padre Ladislau.

Em agosto de 1966, sob intensa perseguição e constantes ameaças de morte, foi necessário deixar a Hungria. Partiu para Roma com a ajuda de amigos, disposto a evangelizar em qualquer lugar do mundo. Trabalhou um ano com o monsenhor Joseph Zagon, na Pastoral dos imigrantes húngaros. Desejando ser missionário na África, pediu o visto de entrada no Congo Belga, porém, devido à guerra no país, não foi aceito.

Em 1967, foi convidado pelos beneditinos a vir para o Brasil. Aceitando, fixou-se em São Paulo, no bairro Morumbi, onde auxiliou na Paróquia Santa Cecília. Em 1968, ao visitar, em Porto Alegre, o Dr. Luiz Mezgar, sacerdote húngaro, foi convidado pelo Cardeal Dom Vicente Scherer a trabalhar no Sul, pastoreando os imigrantes húngaros. Aceito o convite, foi incardinado no dia 11 de novembro de 1968 e nomeado para a recém formada Paróquia São Martinho.

Nos anos 70 dedicou-se à propagação da Espiritualidade da Renovação Carismática Católica. A partir de 1985, Padre Ladislau sentiu o chamado de Deus a uma obra nova, fruto da ação do Espírito Santo. Aos poucos, foi-se delineando a formação de uma comunidade missionária, inspirada nas palavras do Cardeal Mindszenty.

Após um período de discernimento, Padre Ladislau, e seus colaboradores, com aprovação do Conselho Paroquial da Paróquia São Martinho, Paróquia na qual o Padre Ladislau era Pároco, fundaram a 04 de dezembro de 1990 a Fraternidade Nossa Senhora da Evangelização com o carisma de “Ser sinal visível e permanente da presença viva, amorosa e misericordiosa de Jesus Cristo, hoje no mundo”.

Dom Csaba Ternyak, secretário da Congregação para o Clero, ao conhecer a Fraternidade, declarou: “A Fraternidade é obra de Deus, é obra da Igreja. Não é obra humana”. Dom Csaba veio ao Brasil para participar da Peregrinação no Santuário Fonte da Divina Misericórdia, em Ijuí, em 03 de abril de 2005. Trouxe consigo, como presente para o Padre Ladislau, e para a Fraternidade, um conjunto de paramentos que pertenceram a Sua Santidade o Papa João Paulo II. O presente foi entregue no dia da chegada de Dom Csaba a Porto Alegre, 01 de abril de 2005, ou seja, na véspera da morte do Papa João Paulo II.

Este foi um grande sinal de compromisso, como o foi o manto de Elias deixado para Eliseu (II Reis 2, 14), ou ainda o manto de Estevão depositado aos pés de Saulo de Tarso, perseguidor de cristãos (Atos 7, 54-60). É desejo da Fraternidade viver a herança espiritual de João Paulo II, em sintonia com as palavras deste saudoso Papa. As palavras de João Paulo II fortaleceram nosso trabalho e nossa busca pela santidade: “Não tenham medo de abrir, ou melhor, de escancarar as portas a Cristo, porque Ele nos dá abundantemente de Sua graça e misericórdia” (João Paulo II).

 
 
 
 
 
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