Pe. LADISLAU MOLNÁR

ESPECIAL - 79 anos de amor à Eucaristia, Maria Santíssima e à Igreja.

Padre Ladislau Molnár nasceu na cidade húngara de Székesfehérvár, no dia 03 de julho de 1931 e foi batizado no dia 12 de julho do mesmo ano. Seus pais, János e Erzsébet, eram pequenos agricultores. Profundamente católicos, cultivavam a oração em família e a freqüência assídua à Santa Missa. Sua mãe tinha por hábito ler diariamente a Bíblia, momento que aproveitava para catequizar as crianças. Ensinou sempre a prática das virtudes e a honestidade.

Sua fé teve como base o amor à Eucaristia, a Maria Santíssima e a fidelidade à Igreja e ao Santo Padre. Em 16 de junho de 1938 fez a sua primeira comunhão. Em 1943, com 12 anos, perdeu sua mãe. Buscou junto a Maria Santíssima o consolo e o apoio materno que lhe faltaram. Desde muito cedo trabalhou como líder paroquial entre os jovens, sendo crismado em 25 de maio de 1947.

Na Hungria, quando o
Padre Ladislau era jovem, encontrou-se com o Cardeal Joseph Mindszenty, o que definiu a sua vocação sacerdotal. Quando o Padre Ladislau veio para o Brasil, passou a se corresponder com o Cardeal, ao qual sempre admirou por sua postura firme, bem como por seu exemplo de vida: um sinal vivo da presença de Deus no mundo.

Das memórias do Padre Ladislau, extraímos estas palavras fortes: “Lembro bem do Cardeal Mindszenty. Esteve mais na prisão do que fora dela: primeiro pelos fascistas, depois pelos comunistas. Nunca vou esquecer a data: agosto de 1948. Como líder paroquial, fui chamado à cidade de Esztergom, na casa do Cardeal. Recebeu-me junto com seu secretário, Andrez Zaccar. Ele conversou comigo sobre o perigo que o ateísmo representava para o mundo livre. Disse: 'Nós, católicos, não devemos ser parados. Mesmo que haja sacrifícios, vamos trabalhar'.

Suas orientações e sua convicção, naquele único encontro, marcaram para sempre a minha vida. Senti muito forte o desejo de ser sacerdote”.

Uma visita do Cardeal ao Brasil já estava sendo preparada pelo Padre Ladislau quando, em 06/05/1975, recebeu a notícia de sua morte. Morreu a personalidade, mas sua obra e seus pensamentos permanecem até os dias de hoje, através da Fraternidade Nossa Senhora da Evangelização.

Padre Ladislau, ainda Seminarista, procurou o Bispo em Székesfehérvár, pedindo que não cedesse às pressões do regime comunista pelo rompimento com o Roma. Ouviu naquela ocasião: "Devemos romper, ou todos morreremos". Obediente, porém, profundamente desapontado, Padre Ladislau saiu, batendo a porta. Graças à sua posição firme, e suas palavras de encorajamento, três dias depois, chamado pelo Bispo, recebeu dele uma resposta diferente: "Não nos separaremos de Roma".

Em 1952, com o fechamento dos Seminários, todos os seminaristas foram expulsos. Diante daquela situação, o então seminarista partiu para a cidade de Szeged, onde funcionava de forma limitada um Seminário. Recebendo uma resposta afirmativa do Reitor, contatou pessoalmente cada um dos 44 ex-seminaristas que, após uma breve resistência, aceitaram a sugestão e retornaram ao Seminário.

Em 19/06/1957 foi ordenado sacerdote com o lema de ordenação: “Os Judeus pedem sinais, os gregos reclamam a sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado” (1 Cor 1, 22a). Celebrou a primeira Missa
em 23/06/1957 na Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Seguiram-se 09 anos de um difícil trabalho pastoral em Káloz e Budapeste; Foi um tempo de perseguição e prisões. Padre Ladislau organizou pequenos grupos de oração, de forma clandestina, trabalhando a oração do terço em grupos de cinco jovens. Muitos deles ainda vivem nos dias de hoje.

Em agosto de 1966, sob intensa perseguição e constantes ameaças de morte, foi necessário deixar a Hungria. Partiu para Roma com a ajuda de amigos, disposto a ser missionário. Trabalhou um ano com o mons. Joseph Zagon, na Pastoral dos imigrantes húngaros. Desejando ser missionário na África, pediu o visto de entrada no Congo Belga, porém, devido à guerra no país, não foi aceito. Em 1967, foi convidado pelos beneditinos a vir para o Brasil. Aceitando, fixou-se em São Paulo, no bairro Morumbi, onde auxiliou na Paróquia Santa Cecília.

Em 1968, ao visitar, em Porto Alegre, o Dr. Luiz Mezgar, sacerdote húngaro, foi convidado pelo Cardeal Dom Vicente Scherer a trabalhar no Sul, pastoreando os imigrantes húngaros.
Aceito o convite, foi incardinado no dia 11 de novembro de 1968 e nomeado para a recém formada Paróquia São Martinho.


Nos anos 70 conheceu o movimento pentecostal católico. Na Hungria, Padre Ladislau já havia conhecido comunidades carismáticas. Em seguida, dedicou-se a propagar a Espiritualidade da RCC. A partir de 1985, Padre Ladislau sentiu o chamado de Deus a uma obra nova, fruto da ação do Espírito Santo. Aos poucos, foi-se delineando a formação de uma comunidade inspirada nas palavras e no testemunho do Cardeal Mindszenty.

Após um longo período de discernimento, Padre Ladislau e seus colaboradores, com aprovação do Conselho Paroquial da Paróquia São Martinho, Paróquia na qual o Padre Ladislau continua como pároco, fundaram a 04/12/1990 a Fraternidade Nossa Senhora da Evangelização com o carisma de “Ser sinal visível e permanente da presença viva, amorosa e misericordiosa de Jesus Cristo, hoje no mundo”.


Dom Csaba Ternyak, então o secretário da Congregação para o Clero, ao conhecer a Fraternidade, declarou: “A Fraternidade é obra de Deus, é obra da Igreja. Não é obra humana”. Dom Csaba veio ao Brasil para participar da Peregrinação ao Santuário da Misericórdia, em Ijuí, em 03/04/2005. Trouxe consigo, como presente para o Padre Ladislau, e para a Fraternidade, os paramentos que pertenceram a Sua Santidade o Papa João Paulo II. O presente foi entregue no dia da chegada de Dom Csaba a Porto Alegre, 01/04/2005, véspera da morte do Papa.

Este foi um grande sinal de compromisso para a Fraternidade. É desejo do Padre Ladislau viver a herança espiritual de João Paulo II, em sintonia com as palavras do saudoso Papa: "As palavras de João Paulo II fortaleceram nosso trabalho e nossa busca pela santidade: 'Não tenham medo de abrir, ou melhor, de escancarar as portas a Cristo, porque Ele nos dá abundantemente de Sua graça e misericórdia” (João Paulo II).

Padre Ladislau nos conta o que está por vir:

“Nosso trabalho não pode parar, o Evangelho precisa continuar sendo anunciado. Precisamos adquirir novas Rádios, transmitir nossos próprios programas de TV através de nossas Retransmissoras, firmar parcerias com outras comunidades, construir uma Casa de Retiros em Ijuí, no Santuário da Misericórdia e um local para Formação de leigos missionários e sacerdotes em Porto Alegre/RS.

O nome deste Centro já está definido, será chamado “TABERNÁCULO DE DEUS”. Nossa linha de frente nestas Obras são nossos sócio-evangelizadores, colaboradores e dizimistas que, com sua colaboração financeira e orações, são verdadeiros instrumentos de Deus. Sei
que vamos vencer! Jesus precisa de todos nós para fazer crescer
esta obra.
CORAGEM! VENCEREMOS!"

 
 
 
 
 
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